TUDO PODE DAR CERTO (Whatever Works)

Com: Larry David, Evan Rachel Wood, Ed Begley Jr., Henry Cavill, Patricia Clarkson
Direção: Woody Allen
Comédia Romântica - 90 minutos - 12 Anos
Sinopse: Woody Allen retorna à Nova York com uma comédia nada convencional sobre um misantropo extravagante e uma jovem impressionante e ingênua vinda do sul. Quando seus irritados pais aparecem para buscá-la, eles são surpreendidos por complicações amorosas malucas. Todos percebem que para encontrar o amor basta uma combinação de sorte, acaso e apreciar o valor do que quer que funcione para você.

Por AriBL (o comentário abaixo contém partes da trama que não comprometem)

Esse é o 42º filme do Woody Allen, mas para mim é apenas o primeiro! Que vexame... Mas pode ter certeza que esse vale a pena todo esforço gasto!

Os que assistiram se mataram de tanto rir. O personagem de Larry David é ótimo. Seu diálogo inicial é impagável, aliás, seu personagem como um todo é impagável. Suas teorias absurdas e a maneira como se enlouquece sistematicamente com tudo, é fantástico.

Assim, preciso integrar o time dos que altamente recomendam o mesmo. Comédia? Mais que isso. Uma verdadeira aula sobre como usar e abusar de teorias absurdas de vida, religião, conhecimentos e acasos, muitos acasos que no filme são forçados (claro, o que queríamos em 90 minutos), mas que podem muito bem acontecer na vida. Afinal, na vida, Tudo Pode Dar Certo...
 
Para se ter uma noção de quão bem estão os atores, aqui na empresa, somente eu e um colega que conseguiu uma cópia em alta definição assistimos. Pessoal, a gente se diverte tentando reproduzir os monólogos / diálogos hilários do filme! E as interpretações são tão boas que a gente, na zueira, tentando repetir o que o cara fala se enrosca totalmente!

Parabéns ao Woody e ao Larry David. Da mesma maneira que os coadjuvantes, Evan Rachel Wood principalmente, sacam bem a idéia do filme e são um deleite, prazerosíssimos de se assistir. Taí um filme daqueles de nos fazer assistir com o sorriso no rosto.

Não quero mais falar muito sobre o filme. Seguem alguns dos melhores momentos (vendo o filme, vai entender):

"- Vai desmaiar aqui ou prefere na cozinha?"

"- Ficou mancando assim jogando pelos Yankees?
- Não, garota imbecil, verme sem cérebro. Não joguei nos Yankees! Eu estava sendo sarcástico.
- Você... eu acreditei.
- É..."

"- Meu psiquiatra diz que as armas manifestavam minha incapacidade sexual.
- É, se não fosse a inadequação sexual, a Associação de Rifles iria à falência."

"- Deus é gay.
- Mas como, se ele criou as árvores, as plantas, os animais, colocou tudo em seu devido lugar, direitinho?
- Entao, ele é decorador, por isso só pode ser gay"

Nota 8.5!



Escrito por AriBL às 16h25
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TOY STORY 3

Com Vozes de: Tom Hanks, Tim Allen, Michael Keaton, Joan Cusack , R. Lee Ermey
Direção: Lee Unkrich
Aventura - 113 minutos - Livre
Sinopse: Andy , o dono dos bonecos Woody e Buzz Lightyear, está prestes a ir para a faculdade. Com isso a maior parte de seus brinquedos é doada a uma creche. Lá o grupo conhece novos brinquedos, entre eles Ken, que logo se interessa por Barbie.

Coletânea de elogios ao novo espetáculo da Pixar:

= JTC/jtc =

Muito bom. Muito bom mesmo! (Nota 5 de 5). É impressionante como eles (Pixar & Cia.) conseguem fazer um filme com os mesmos personagens dos filmes anteriores e, ainda assim, criam uma história singular, que tem humor, suspense, drama, sem deixar de prender a atenção nem por um minuto. Alguns momentos carregam no sentimentalismo, por isso, os(as) mais sensíveis já podem ir prevenidos(as) com uma caixinha de Kleenex...rsrs.
 
Quem gostou dos anteriores, pode (deve!) ver esta continuação, pois é diversão garantida!

F. Prevedello

É tudo o que estão falando e mais um pouco. A saga dos brinquedos que tem vida é finalizada da mesma forma eficiente que começou. E esse ainda tem o bônus de ser voltado mais para o drama da perda, e sem perder a veia engraçada. Para fugir da criançada barulhenta, fui numa sessão que começou 00:15 e que para minha surpresa era legendado (aqui em Curitiba a percentagem das cópias dubladas está aumentando assustadoramente). Vi em 3D porque era a única opção nesse horário e não vi nada que não pudesse sem visto em 2D. Aliás, depois de Avatar, estou cada vez mais decepcionado com as supostas vantagens do formato. Se o filme é fraco, como o último do Cameron, não tem 3D que de jeito. Como TS3 é muito bom, com 10 minutos de filme você nem nota que está de óculos.
Nota: 5/5 e o melhor que vi lançado em 2010 até agora.

AriBL

Filmaço. Recomendo mesmo. Fecha com chave de ouro a trilogia, e daqui a alguns anos, quem sabe, entra na lista das melhores trilogias de todos os tempos.
 
Não há a menor necessidade de ser visto em 3D. Vi em 2D mesmo e me diverti e me emocionei demais. Acho que quando o filme é bom, até em preto-e-branco a gente assiste bem!
 
Diferentemente da maioria dos contos-de-fadas, a Pixar ensina todo mundo a amadurecer, a encarar as diferenças e aceita-las, e o valor das amizades. Além do bom humor e do clima tenso de um ótimo filme de ação, TS3 não é diferente!

Parabéns a Pixar! De novo.

Tio Mario

Posso dizer que Toy Story 3 manteve-se com muita honra no patamar dos anteriores. Claro, assim como Toy Story 2 o novo filme já não carrega em seu enredo o status de novidade, de revolução, como o primeiro exemplar da série. Mas considerei bastante envolvente, com momentos tocantes e ação na medida certa. Excelente!

Precisa mais?



Escrito por AriBL às 10h34
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Retorno! Copa e Filhas!

Fim da Copa do Mundo e conseqüentemente final das férias do blog. Eu gosto muito de futebol, como quem me conhece sabe, por isso durante a Copa os filmes e os textos ficaram em segundo plano. Agora é hora de voltar ao normal: Filmes e Santos.

Mas é legal fazer um balanço da Copa e desse último mês. A Copa foi decepcionante. Muito chata, poucos gols bonitos e muita violência. A final, então, foi de dar sono e raiva! Que jogo ruim! É claro que finais são tensas, mas essa foi pior do que a de 94. Eu sei que muita gente ficaria brava em ler isso, mas achei, no final das contas, ótimo que o Brasil perdeu. Imagina se ganha: Esse deve ser o modelo para o futebol de seleção brasileira? Fala sério! Eu sou do tipo que prefiro ver um futebol bonito do que eficiente. Mesmo que perca! Eu nunca me esqueci da emoção da Copa de 82, mas nem me lembro mais do que senti quando saímos da fila em 94. Por que será? Eu quero uma seleção marcante e genial, e nenhum país no mundo pode fazer isso melhor do que o Brasil! Chega de covardes na seleção. Futebol é arte e ponto.

Aliás, esqueceram tanto da arte do futebol nessa Copa que a única coisa de que se fala é sobre o "peladismo" geral: Todo mundo queria ficar pelado pela sua seleção! Resultado? A personalidade da Copa não saiu dos gramados, não foi Kaká, Messi, Ozyl, Forlan, Iniesta, Roben ou Villa, e nem estava na África do Sul (que bom, pelo menos se livrou das terríveis, insuportáveis e malditas vuvuzelas!). Exatamente, a personalidade da Copa foi Larissa Riquelme. Tirem suas próprias conclusões, já que ela está disposta a tirar o resto!

Mas voltando ao meu mundo, nesse período tivemos a felicidade de acompanhar o nascimento de mais uma princesa nesse mundo, a linda Duda! Ela é quase que uma sobrinha pra mim, já que seu pai, o Rafa, foi (e é!) praticamente meu irmão durante nossas solterisses. Espero tanta felicidade a eles que nem posso quantificar! E pra completar a lista, nasceu uma outra princesa de um amigo virtual de uma lista (desculpe-me a repetição...) de cinema da qual faço parte e muito aprendo sobre filmes. E aí, inusitadamente, me veio a inspiração para esse texto, que na verdade, será complementado com as dicas dadas por um outro pai, carioca, sobre como aproveitar a companhia de uma filha, uma bênção divina, mas que deve ser encarada com muita responsabilidade!

O texto abaixo é uma cópia descarada de um e-mail de parabenização e dicas de como aproveitar as fases da vida de uma filha. Eu gostei! rsrs

Por Rodrigo S.

Parabéns Ricardo!!!

É muito legal ter filha. São carinhosas e a sua vai te fazer cafuné até o fim da sua vida. A minha é aventureira e por isso me acompanha em tudo. Oito anos é uma idade bem tranquila, desde que você tenha implantado regras.

Até começar a falar, sua vida vai ser um inferno. Trabalho pra caramba, noites mal dormidas, agonia do choro sem você saber o que está havendo, complicações para viajar, tralha enorme formada por fraldas e carrinho, despesas gigantes. Até pra ir no cinema você vai ter enorme dificuldades.

Mas quando começa a haver comunicação, tudo melhora bem: Não pode. O que aconteceu? Onde dói? Já voltamos. Está com fome? Essa é a sua nova babá.

Nesse fim de semana vou comprar um segundo skate porque ela está usando o meu direto. Vamos passear lado a lado pela orla no domingo. E na lagoa nos outros dias... O cachorro também se dá bem, ele faz exercício como nunca. Ele reboca minha filha no skate por longas distâncias, até cansar. Aí dou uma água de coco pra ele e pronto.

Dica final. Quando começar o papo de balé, que é inevitável, caro e tem umas apresentações chatérrimas, você pode argumentar o seguinte: Praticamente não existe bailarina com mais de 20 anos. Todas param. Aí ela vai chegar nessa idade sem saber fazer direito qualquer outra atividade. Aí vai começar a malhar em academia, que também é chato e caro e não é esporte. Não engrandece a alma, não ativa o senso esportivo. Então é melhor começar logo, desde cedo, algo mais legal. Algo que ela possa praticar o resto da vida. Com os amigos, de preferência. Lá em casa funcionou. Já está na escolinha de futebol do Flamengo na praia há 4 anos. Nessa semana ela está na colônia de férias do Milan no Hotel do Frade. Futebol de manhã até de noite. Treinos físicos, táticos e técnicos. São 140 crianças e ela é a única menina. Sexta passada foi feriado aqui em SP e eu fui pro RJ na quinta. Eu a levei no futebol da praia e ela marcou o gol da vitória no finalzinho da aula. Gol de falta, de longe. No cantinho do goleiro. Com o lado do pé, como o papai aqui ensinou. Quase morri de orgulho. Pense nisso quando ela pedir para fazer o tal do balé HAHAHAHA...



Escrito por AriBL às 11h09
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Anime-se! Coraline e o Mundo Secreto (Coraline)

Com vozes no original de: Dakota Fanning, Teri Hatcher, Jennifer Saunders, Dawn French, Keith David, John Hodgman, Robert Bailey Jr., Ian McShane, Carolyn Crawford
Direção: Henry Selick
Animação - 101 minutos - Livre
Sinopse: Entediada em sua nova casa, Caroline Jones (Dakota Fanning) um dia encontra uma porta secreta. Através dela tem acesso a uma outra versão de sua própria vida, a qual aparentemente é bem parecida com a que leva. A diferença é que neste outro lado tudo parece ser melhor, inclusive as pessoas com quem convive. Caroline se empolga com a descoberta, mas logo descobre que há algo de errado quando seus pais alternativos tentam aprisioná-la neste novo mundo.

Por AriBL (o comentário abaixo contém revelações importantes da trama!)

Encerrando (?) o ciclo atual dos Stop Motions, não poderia me esquecer de Coraline. Um dos concorrentes ao Oscar do ano passado, Coraline é um desenho interessante. Muito bem feito tecnicamente, a ponto de às vezes nem percebemos que é Stop Motion - para isto, basta comparar com Mary e Max, ou com O Fantástico Sr. Raposo. Mas sabemos que é, pois os personagens, ponto alto do filme, são ... absurdos!

Cuméquié? Verdade. A estranheza de todos os personagens do filme incita nossa curiosidade. Não há personagens comuns. Neles podemos concentrar nosso comentário, e também o motivo pelo qual eu achei que o filme poderia ser melhor!

Coraline: Mimada, irritante e desprezada. Assim começa a saga da personagem principal. A mudança residencial normalmente é uma tragédia para as crianças. Não querem saber de deixar os amigos e costumes para trás. Com isso criam barreiras. No caso de Coraline, ela ainda fica entediada, exige a atenção dos pais, extremamente ocupados com suas carreiras. Curiosa, descobre a porta secreta e conhece "um mundo melhor".  Ela é, no fundo, uma menina triste e deprimida, mas tem o ponto positivo de ser persistente.

Mel Jones (mãe) / Charlie Jones (pai): Ausentes, ocupados e desprezíveis. Essa é a primeira impressão que temos dos pais de Coraline. Preocupados com seus próprios mundos, não dão nenhuma atenção para a filha. Cada um trabalha em seu projeto, sem sequer dividirem o mesmo espaço. Passam a idéia de independência total, nem parecem uma família, ou que são casados!

Wybie Lovat: A única "criança" que aparece para fazer amizade com Caroline. Esquisitão (geek), morre de medo da casa que Coraline foi morar e carrega uma boneca muito parecida com a nova amiguinha. Ele sabe de muitas coisas estranhas, mas é proibido pela avó de fazer contatos.

Srta. Spink e Srta. Forcible: Pra mim, as personagens mais intrigantes! Idosas, malucas e quase cegas, agem como se fossem jovens profissionais de algum cabaré francês do começo do século passado. Daí achar até que suas personagens não se encaixam no contexto infantil do filme. Tem tons de oráculos nas suas expressões, como que se soubessem de muitas coisas, mas nunca as revelando diretamente.

Sr. Bobinsky: Acrobata de circo, enorme e barrigudo, consegue fazer coisas impossíveis. Nem sei pra que existem escadas, o cara quase consegue voar. E não para quieto. Seu personagem esconde uma triste história de decepções.

Gato: Aparece de maneira esquisita, com atitudes humanas, que são características nos felinos só que bem acentuadas.

Estes são os personagens principais da vida "real" de Coraline. Quando entramos no "mundo secreto", onde os personagens têm botões costurados nos olhos, aí é que a coisa fica ainda mais estranha!

Outra mãe: É quem manda no pedaço. Gentil e prestativa, quer agradar Coraline de todo jeito.

Outro pai: Alegre e canastrão. Mas completamente dominado.

Outro Wybie: Aqui ele não fala. No mundo real, Coraline não simpatizou com ele por que ele fala demais. Aqui ele além de ficar quieto, ainda apresenta o "submundo" a sua amiga. Parece que ele é do jeito que ela queria...

Outras Srtas Spink e Forcible: Lá elas fazem o que bem entendem! Tem um número e um teatro modernos e sensuais... É mesmo infantil esse filme?

Outro Sr. Bobinsky: Agora ele tem um número espetacular, com ratos especialistas em acrobacias.

Outro gato? Esse personagem, junto com Coraline é o único que não tem botões nos olhos, mas agora... Fala! E aí começamos a entrar num mundo de possibilidades simbólicas.

Seria esse mundo um pesadelo de Coraline? Ou seria insanidade? Ou doença? Seriam os botões símbolo da morte? Qual o significado da boneca? Um elo de ligação entre os mundos? Se for, e esses dois símbolos se complementarem, estaria Coraline se entregando? E o gato? Por que ele consegue “entrar” no mundo, e por onde?

Com todas essas possibilidades, o filme teria tudo para ser uma obra "Lynchiana", "Burtoniana" etc. Mas o final... (se ainda não viu, não leia se não quiser estragá-lo!).

Como disse antes, os pais dela começam desprezíveis na história. Entretanto, com as revelações sobre o que realmente era o mundo secreto, Caroline começa a fugir daquela realidade, e o filme daí por diante se torna um filme de simples aventura, esquecendo todo o terror psicológico e os tons de noir presentes até então. Para escapar de lá, um jogo "infantil" é proposto. E para a redenção dos pais reais, Caroline ganha um presentinho "cala a boca e fica feliz". Pronto, resolvidos todos os problemas! Por isso que de todos os Stop Motions deste ano (ou seria do ano passado?), Caroline para mim foi o mais fraco. Mas com os melhores personagens. Que coisa não? Nota 6.



Escrito por AriBL às 11h43
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Invictus

Com: Morgan Freeman, Matt Damon, Tony Kgoroge, Patrick Mofokeng , Matt Stern
Direção: Clint Eastwood
Drama - 134 minutos - Livre
Sinopse: Recentemente eleito presidente, Nelson Mandela (Morgan Freeman) tinha consciência que a África do Sul continuava sendo um país racista e economicamente dividido, em decorrência do apartheid. A proximidade da Copa do Mundo de Rúgbi, pela primeira vez realizada no país, fez com que Mandela resolvesse usar o esporte para unir a população. Para tanto chama para uma reunião Francois Pienaar (Matt Damon), capitão da equipe sul-africana, e o incentiva para que a selação nacional seja campeã.

Por AriBL (algumas revelações que não comprometem!)

Clintão manda bem em mais um filme inspirador e emocionante. Contar sobre Mandela não é tarefa fácil. Talvez a personalidade mundial mais importante dos últimos 50 anos (ou mais), Mandela é aqui retratado como alguém notável no campo das negociações políticas. E muito popular também. Clint mostra de uma maneira saudosista (ou seja, sempre vendo os pontos fortes do líder) uma das investidas do maior líder negro do último século, e que tem a ver com um dos temas que Clint mais gosta: O esporte. (E há quem criticasse as investidas populares de FHC e Lula nesses últimos 17 anos...)

Aliás, vendo o rúgbi como neste filme, fala que não vontade de jogar? Ou de comprar a camisa do time sul-africano? Só quem não gosta de esporte responderia não. Ser campeão mundial de algo que valorizamos pode não ser a solução de nossos problemas (somos penta campeões mundiais do esporte mais popular do Brasil e do mundo e nem por isso estamos próximos de um país ideal). Mas infla os ânimos. Pode falar do problema que quiser, mas quando falamos da nossa paixão esportiva, todos somos iguais na arquibancada.

Mais que isso, o filme mostra um Mandela perdoador e faz questão de ressaltar o tempo que ele passou em cativeiro, sem mostrar as brutalidades que provavelmente sofreu. Muitos em seu lugar teriam lutado por revanche ou vingança, e ilustrativamente (a comparação é minha, não do filme) Mandela fez mais ou menos o que as regras do rúgbi permitem. No rúgbi o objetivo é avançar toda a equipe em bloco. Na África do Sul, era necessário (e ainda é) que todos passem a agir com um só país (país arco-íris), avançando a distribuição econômica. Além disso, não é permitido passar a bola pra frente, apenas para trás ou para os lados. No país, nem tudo pode ser deixado para trás, ainda existem símbolos nacionais que podem ser detestado por uma boa parte da população por fazer lembrar anos esquecíveis, como era o time de rúgbi, mas que podem gerar discórdias se forem ignorados ou desprezados. Mandela deu um belo passe lateral ao manter a equipe, tão valorizada pelos brancos.

Nota extra: O apartheid está longe de ser extinto da RSA. No começo do filme, os pais de Francois Pienaar (Matt Damon), dão uma idéia sobre o que eles pensam na questão de "entregar" o país e sua economia "para eles", que estão sem preparo e vão acabar com a história do país. Infelizmente, este pensamento é comum. Um regime que ficou tanto tempo deixa marcas profundas, e faz uma lavagem cerebral que impede que se veja o potencial igualitário e humano, mesmo ao se enfrentar crises. E isso ainda é enfrentado. No filme, há uma "redenção" dos personagens, especialmente quando eles assistem a final da partida junto à empregada no estádio, mas na realidade, o país ainda está longe de aceitar essa "união". Clint não mostra isso, talvez por achar que polemizar não ajudará em nada. Se for assim, palmas a ele, pois não estamos vendo um documentário, e sim, um filme motivador.

Tecnicamente, o filme tem os ingredientes "Clint de qualidade", como cenas longas e emocionantes. É muito bem feito no campo esportivo, mostrando as partidas com detalhes que nem ao vivo conseguiríamos captar (mais ou menos como aconteceu em Menina de Ouro). E as apresentações de Matt Damon e dos coadjuvantes são bem convincentes, sendo que, óbvio, o ponto alto é Morgan Freeman, arrebentando como Mandela, e de uma maneira tranqüila, sem estapafúrdios, que mostram a dignidade de quem tem o currículo experiente e maduro.

Se a situação da África do Sul é quase que poeticamente tratada aqui (pois acho que não mostra o que realmente aconteceu em termos de brutalidade e o que ainda acontece em termos de racismo), isso não diminuiu o bom conceito do filme, feito para toda a família. Mais um que entra para a lista dos apaixonáveis. Nota 7.5.



Escrito por AriBL às 10h14
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Um Sonho Possível (The Blind Side)

Com: Sandra Bullock, Tim McGraw, Quinton Aaron, Jae Head, Lily Collins
Direção: John Lee Hancock
Drama - 128 minutos - 10 anos
Sinopse: Michael Oher (Quinton Aaron) era um jovem negro, filho de uma mãe viciada e não tinha onde morar. Com boa vocação para os esportes, um dia ele foi avistado pela família de Leigh Anne Tuohy (Sandra Bullock), andando em direção ao estádio da escola para poder dormir longe da chuva. Ao ser convidado para passar uma noite na casa dos milionários, Michael não tinha idéia que aquele dia iria mudar para sempre a sua vida, tornando-se mais tarde um astro do futebol americano.

Por AriBL

Sandra Bullock, uma das queridinhas de Hollywood e uma das mais populares atrizes de todos os tempos, recebeu da academia a premiação máxima por esse filme, no mesmo ano que recebeu a framboesa como pior atriz por Maluca Paixão (All About Steve)... É de causar burburinhos ou não é? Claro, pois os mais críticos torceram não apenas o nariz por essa premiação, como chegaram a dizer que o motivo de ela receber o prêmio nem foi tanto pelo talento. Cheguei a ler que "nunca poderíamos nos esquecer que a premiação é feita de amigos para amigos", o que não deixa de ser verdade, já que os votantes são atores.

Mas para mim, o maior problema mesmo nem era essa joguinho de bastidores, isso pouco me importa. Nem o passado dela, que sempre fez o básico nos filmes, nada muito espetacular em sua carreira. Para mim, se ela realmente fez uma boa apresentação e mereceu pelo filme, ótimo. E aí ainda teríamos que ver suas concorrentes desse ano. Esse é o problema. Suas concorrentes Helen Mirren e Carey Mulligan não posso opinar, pois não vi. Educação está na lista dos a ver. Meryl Streep é concorrente carimbada, mas por Julie e Julia dificilmente ganharia. Sobrou Gabourey Sidibe, por Preciosa. E só por aí já tem injustiça.

Sandra, loira, bem loira, faz um bom papel sim. E o filme é fácil de gostar. Uma família muito rica, num estado americano extremamente preconceituoso, que adota um jovem negro, e passa a lidar com as dificuldades que o preconceito impõe. Além de rica, a família é quase perfeita, não há brigas, não há dilemas, e o que a personagem de Sandra (Leigh) decide é o que todo mundo faz, ou vai fazer. Ponto. Não é possível que exista uma família assim! Mas o filme é apaixonável. E ainda como se baseia em fatos, tem uma prova nos créditos finais de algumas coisas mostradas no longa.

O filme diverte e emociona demais. Mas o grande mérito do filme é também seu problema na hora das premiações. Existem filmes que foram feitos para a maioria gostar, para passar um sem número de vezes na "Sessão da Tarde", e esse é o caso. Um filme família de qualidade indiscutível. E existem filmes feitos para ganhar prêmios, que é o caso de Preciosa. Os dois são ótimos cada um a seu modo. Só que a atriz de Preciosa mereceria receber a premiação mais que Sandra, em minha opinião.Jae Head como S.J.

Mas vamos deixar de lado esse negócio técnico, essa de premiação e a apresentação da Sandra, pois o filme é muito bom. Eu destacaria a sensacional apresentação de Jae Head como S.J, filho mais novo de Leigh. O moleque é sensacional, traz os momentos mais engraçados do filme. Toda vez que ele aparece o filme ganha fôlego. E a Kathy Bates também dá uma boa revigorada nos ânimos.

Assim, se passamos por algum momento de desânimo e precisamos nos inspirar vendo um filme, pode pegar esse. Chega desse negócio técnico, divirta-se! Nota 7.5.



Escrito por AriBL às 07h59
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Anime-se! O Fantástico Sr. Raposo (The Fantastic Mr. Fox) - 2009

Com: George Clooney, Meryl Streep, Adrien Brody, Owen Wilson, Willem Dafoe, Wes Anderson, Mario Batali, Bill Murray, Hugo Guinness, Brian Cox, Michael Gambon
Direção: Wes Anderson
Animação - 87 minutos - Livre
Sinopse: O Sr. Raposo (George Clooney), a Sra. Raposa (Meryl Streep) e seu filho vão morar em uma árvore, localizada em uma colina. Lá eles têm como vizinhos o Coelho (Mario Batali), o Texugo (Bill Murray) e a Doninha (Wes Anderson), entre outros animais, todos com suas respectivas famílias. O Sr. Raposo prometeu à esposa que deixaria a vida de roubos de galinhas, já que ela estava grávida. Desde então ele iniciou uma respeitável carreira de colunista de jornal. Porém, a proximidade do novo lar com as fazendas de Boggis (Brian Cox), Bunce (Hugo Guinness) e Bean (Michael Gambon) faz com que volte à velha vida, às escondidas. Só que logo o trio de fazendeiros se une para capturá-lo.

Por AriBL (O comentário abaixo contém pequenas revelações sobre o enredo que podem prejudicar a trama)

Mais um com técnica Stop Motion. O Fantástico Sr. Raposo segue a onda dos bem sucedidos do ano passado nesta técnica, que para muito parece datada, mas que está longe disso. É muito complexo fazer um filme usando este método, então é preciso mais cuidado ao observar o resultado final de um trabalho assim. Além disso, sempre achei interessante o fato de que quem procura produzir em Stop Motion parece querer dar muito mais ênfase à história do que à técnica visual. Nenhum filme Stop Motion que vi tem história banal, entre eles o excelentíssimo Fuga das Galinhas, o bom Coraline e o Mundo Secreto, o grandioso Mary e Max e agora, o interessantíssimo Sr. Raposo.

E por que o Sr. Raposo merece elogios? Pelo que quer mostrar, sem ser óbvio. Qualquer um poderia achar que O Fantástico Sr. Raposo é uma simples história que envolve um bando de animais perseguidos por fazendeiros, ou seja, uma aventura em que se escolhe um lado para torcer e ficar nessa emoção até o desfecho. Certo? Em partes isso acontece mesmo. E é legal. Mas tem muito mais a se prestar atenção.

Destaco algumas coisas: O lado larápio do Sr. Raposo. Quando teve que abandonar os roubos por que seria pai, o Sr. Raposo abandonou seu lado "natural" - ser selvagem. Aliás, ele fala isso a seu respeito e a respeito de seus animais vizinhos, o tempo todo. Por quê? Seria uma pequena crítica ao fato de querer domesticar a selvageria dos bichos? Criticar uma inversão de valores? Aí pensamos que nesse filme, estranhamente, os animais tem atitudes "humanas" curiosas que são encaradas com naturalidade: Andar em duas patas, usar roupas, ler jornal, ter família e um lar... Atitudes muito humanas, não? Pensando assim, aonde se quer chegar? Numa óbvia comparação de padrões comportamentais. Por que os humanos condenam os animais quando eles são ... animais?!? E o pior é que o comportamento humano é selvagem exatamente quando os animais assumem o papel que a natureza lhes deu. Seria um condicionamento a um padrão que o DNA estabeleceu e o homem insiste em querer mudar? Vai entender...

Outra coisa: Família e suas responsabilidades. Você deixaria de fazer algo que gosta muito em troca de outras responsabilidades? Muitos de nós tivemos que deixar para trás o que nos agradava em nome da família, dos amigos, da segurança financeira... No caso do Sr. Raposo, ele foi literalmente obrigado a abandonar seus "dons" atléticos em prol do filho, e isso custou caro para os dois! Infeliz com sua nova carreira, é no filho que o Sr. Raposo vai descontar sua frustração.

Mais, mais! Ainda no campo das responsabilidades: O quanto assumi-las reprime nossos sonhos? Depende! O filme mostra que com a devida parceria é possível agregar responsabilidades aos dons e atividades que gostamos de fazer. No fundo, mostra que mesmo dentro do lar, os parceiros não podem tolher aquilo que o outro gosta e faz de melhor. Lembrei-me de uma outra animação de sucesso... Em Os incríveis, a família e a vida do Sr. Incrível começou a declinar exatamente quando ele não pode fazer o que mais sabia, que era ser herói. Passou a levar uma vida responsável, mas sem nenhum significado pessoal. E sem significado pessoal, passou a não mais dar valor à ... família! Que círculo vicioso! O mesmo aconteceu com o Sr. Raposo. Diga-se que até o grande amor que sentia pela esposa esfriou a ponto dela perceber e dizer que "não devia ter se casado com ele"! Que balde de água fria...

Além da história por detrás da história, O Fantástico Sr. Raposo ainda possui uma gama de personagens esquisitos - que é esse Texugo?, possui atitudes esquisitas - é muito louco ver eles cavando daquele jeito!, muito humor e humor negro - o rato é um capítulo a parte! O filme deixa de ser infantil à medida que as galinhas são condenadas à morte, os personagens sofrem danos físicos, e os animais usam de artimanhas nada convencionais para atingir seus objetivos (roubos, envenenamentos, enganos, motins etc). É preciso ter senso crítico adulto para ver que essas contravenções são usadas na história não como justificativa para nossos atos e que não devem fazer parte de nosso cotidiano de jeito nenhum, mas são usadas para mostrar que não podemos mudar a natureza dos bichos, consumindo todos os recursos sem deixar nada para eles. E que quando comparamos as atitudes do Sr. Raposo em não deixar de lado sua personalidade selvagem, nós, paralelamente, não podemos deixar de lado nossa personalidade, nossos sonhos (que devem ser corretos, dentro da lei), e sim agregá-los as novas responsabilidades que assumimos na jornada da vida.

Leva 7.5.



Escrito por AriBL às 11h34
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Pipoca em DVD! Amor Sem Escalas (Up in the Air) - 2009

Com: George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick, Jason Bateman, Amy Morton
Direção: Jason Reitman
Comédia Dramática - 109 minutos – 12 anos
Sinopse: Ryan Bingham (George Clooney) tem por função demitir pessoas. Por estar acostumado com o desespero e a angústia alheios, ele mesmo se tornou uma pessoa fria. Além disto, Ryan adora seu trabalho. Ele sempre usa um terno e carrega uma maleta, viajando para diversos cantos do país. Até que seu chefe contrata a arrogante Natalie Keener (Anna Kendrick), que desenvolveu um sistema de videoconferência onde as pessoas poderão ser demitidas sem que seja necessário deixar o escritório. Este sistema, caso seja implementado, põe em risco o emprego de Ryan. Ele passa então a tentar convencê-la do erro que é sua implementação, viajando com Anna para mostrar a realidade de seu trabalho.

Por AriBL (alguns comentários sobre o enredo, mas nada demais!)

George Clooney tem se mostrado o ator que mais amadureceu em Hollywood. Mais inacreditável ainda é que seus papéis normalmente retratam pessoas "tangíveis" em excelentes situações reflexivas. Ele consegue fazer com que um personagem comum fuja do óbvio e traz a nós indagações interessantes sobre decisões, escolhas e preferências.

Amor Sem Escalas é um filme que tinha tudo para ser uma simples comédia romântica. Clooney faz um personagem, Ryan Bingham, que tem a coragem de fazer o que muitos chefes não tem: Demitir funcionários, normalmente em massa. Sua frieza e seu calculismo no início do filme nos fazem criar certa antipatia. Mesmo porque o importante para ele não são as conseqüências (?) das ações de sua empresa, mas viajar de avião, ficar em hotéis e acumular milhas: Seu personagem não tem raízes. Mas aí, uma ambiciosa estagiária vem com uma ação corporativa brilhante em termos de redução de custo: Demitir funcionários via web. Seria o fim das mamatas? Ryan Bingham propõe um teste de campo para a estagiária. Ela seria sua estagiária por um período e depois disso, os resultados seriam analisados pelo chefe do departamento que definiria se a nova estratégia seria adotada, ou se tudo continuaria como sempre foi. Entrementes Clooney conhece Alex, interpretada sublimemente por Vera Farmiga, com quem dividiria uma relação "aberta", sem compromisso. E começaria em meio a esse bombardeio corporativo a se questionar quanto a sua maneira de viver. Neste ponto o filme convergiria a uma comédia romântica. Convergiria! Pois...

Pois o filme é mais que isso. Primeiro por que os diálogos dos personagens, em especial quando os três estão juntos são rápidos, sarcásticos e inteligentes. Mas não é apenas a vida deles que nos interessa. O filme nunca nos deixa esquecer os afetados demitidos, e abre espaço para os familiares de Bingham, que levam vida oposta, com compromisso, família e romance. Além de um pano de fundo interessante: A crise financeira dos EUA, que não é tão diferente das do resto do mundo.

Indicado ao Oscar de Melhor Filme, não consigo pensar em criticar Amor Sem Escalas principalmente por que o roteiro dele me fez sentir alegre, preocupado, emocionado e pensativo. Tudo isso num filme só? Verdade! E quando nossos conceitos a respeito dos personagens começam a se formar, novos acontecimentos nos fazem rever o que pensamos sobre eles, e sobre nós mesmos.

Indicado ao Oscar de melhor ator, Clooney fez por merecer. Transmite a frieza necessária nos momentos profissionais no início do filme, indignação no momento de mudança, choque quando as coisas não vão bem e outros sentimentos que a própria trama lhe causará. Se ele mudou ou não suas crenças depois de tudo que ele passou fica ao nosso critério definir. Mas o fato é que em seu personagem sempre houve características ocultas pelas suas ações. No nosso cotidiano, são essas ações que nos levam a rotular uma pessoa antes mesmo de conhecê-las. Além dele, Vera Fermiga, como já disse, também merece elogios, e não podemos esquecer-nos da promessa Anna Kendrick no papel de estagiária arrogante, mandando muito bem! E não é ela quem está também na saga Crepúsculo? Vai entender...

Destaco que este filme possui um dos melhores diálogos do ano, que se passa antes da divertida cena em que eles três resolvem entrar de bico em uma festa. Ali eu me senti num divã!

A única ressalva que faço é com a tradução do título para o português: Amor Sem Escalas? Não tem nada a ver esse filme com "Amor" no título! Tá certo que "Up In the Air" é barra de traduzir, mas esse amor aí afasta muita gente do filme por fazer pensar que se trata de uma comédia romântica. Eu não tenho problema com isso, pois gosto de comédias românticas, mas quem não gosta pode ver sim, sem esse receio.

Nota 8.

PS: Não tenho a menor idéia de como traduzir decentemente esse título, mas ficaria com um "No Ar", simples e objetivo assim!



Escrito por AriBL às 12h14
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Ainda dá Tempo: Ilha do Medo (Shutter Island) - 2010

Com: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Emily Mortimer, Michelle Williams
Direção: Martin Scorcese
Policial/Suspense - 148 minutos - 16 anos
Sinopse: Ilhado do resto do mundo, um manicômio judiciário passa a ser o centro de investigação de um agente do FBI (Leonardo DiCaprio). O que esse agente não sabe é que, uma vez conhecedor do ambiente, dificilmente ele conseguirá sair ileso - e sóbrio - dele.

Por AriBL

De vez em quando precisamos pensar, mas não a ponto de enlouquecer, a respeito de uma primeira impressão sobre um filme, certo? Certo. Quando vi Ilha do Medo, a primeira impressão que tive foi de um filme que até que é bom, mas confesso que, como esperava um clássico, não percebi o potencial que havia, a intenção do Scorcese. Isso não fez o filme se tornar um clássico, mas a impressão revisada melhorou meu conceito.

Este é um daqueles filmes formulados para confundir as mentes dos expectadores. E, por vezes consegue. Um "problema" é que ou vemos esse tipo de filme com a expectativa exacerbada, de ver um roteiro que muda tudo de uma hora para outra, ou um roteiro que nos ensinará uma lição político/moral surpreendente. O que vemos nesse é que a trama é "previsível". Aí perdemos o foco!

Qual o foco? O ambiente surreal criado por Scorcese, ou seja, a Ilha. Aquele ambiente é insano. Ficamos imaginando porque não era tão difícil separar o real, do imaginário, do sonho, do traumático... Ou será que foi? Aquele ambiente pode ser 8 ou 80, totalmente real, parcialmente real, ou totalmente surreal. Meu Deus, que viagem! Preciso me internar... Mas antes de me internar, vale à pena comentar que na Ilha, o ambiente que por vezes é paradisíaco, com rica vegetação e vistas de tirar o fôlego, é também mortal, com tempestades descontroladas e rochedos intransponíveis. Esta discrepância é símbolo muito mais da personalidade humana do que de um lugar. Assim, começamos a perceber que a idéia é explorar mesmo a insanidade, ou talvez até a própria sanidade de nossas mentes. Se nossa mente é o "lugar", então, a Ilha o representa bem! E para completar esta mistura insana, na Ilha temos "moradores" pouco convencionais. Pensa - se isso for possível - no resultado desta mistura: Ambiente inóspito + pessoas pouco convencionais. Aí está a vida no seu limite.

À medida que a trama desenrola, ficamos menos perdidos e mais complexados com tudo o que as pessoas podem se tornar, para onde podem fugir e o que podem fazer para enfrentar suas próprias debilidades, suas próprias imperfeições. À medida que a trilha sonora nos perturba por seu tom estridente, somos levados ao caminho da loucura junto com os personagens, e isso torna nossa viagem mais difícil, incômoda. Mas temos que agüentar isso para saber o que se passa com quem está lá. À medida que a atmosfera do filme melhora com as revelações finais, ficamos mais acostumados com a música e de uma hora para outra estamos adaptados. Poucos conseguem transmitir essa proeza...

Como já se passou um bom tempo desde sua estréia, este filme já possui muitas informações disponíveis para pesquisa. É um dos poucos que eu recomendaria que se fizesse isso antes de ver. Mais ambientados, mais cientes do objetivo de tudo isso, provavelmente acharemos o filme mais interessante.

Impressionante também está DiCaprio. A cada filme ele consegue mostrar evolução... Agora sim, posso procurar o psicólogo.

Nota 7,5.



Escrito por AriBL às 08h30
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Pipoca da Semana: Robin Hood

Com: Russel Crowe, Cate Blanchett, Tony Swift, William Hurt, Vanessa Redgrave, Saoirse Ronan
Direção: Ridley Scott
Aventura - 140 minutos - 14 Anos
Sinopse 1 (Cinemark): O destemido arqueiro Robin Hood e seu bando de saqueadores eram ladrões que se preocupavam somente com suas próprias vidas. Até que decidem enfrentar o poder e a corrupção que tomou conta da cidade de Nottingham, sufocada pelos altos impostos e dominada pelo xerife local.
Sinopse 2 (Terra): Filme conta a história de Robin Longstride, que ao lado de seus fieis amigos, se tornaria Robin Hood, o grande representante dos fracos e oprimidos.

Por AriBL (o comentário a seguir contém revelações que não comprometem a história)

And so begins the legend.

Robin Hood sempre foi um personagem mítico feito para entreter, mas com uma justificativa social. A primícia de roubar dos ricos para passar aos pobres sempre foi quase que uma vingança contra qualquer sistema que tenha divisões de classes sociais. E não importa qual regime político vivamos, isso sempre existiu - é, estão taxando este Robin Hood de comunista (Não? Sério??). Assim, aqueles que têm um pouco menos (e não estou falando de miseráveis) sempre contaram com a história de Robin Hood para, num momento de insatisfação com o poder, se justificar a favor da "rebeldia".

Por isso, quantas vezes Robin Hood realmente foi levado a sério? Pelo que me lembre, nos filmes e desenhos antigos a aventura do príncipe dos ladrões sempre foi muito mais passa tempo, com ação e comédia, do que crítica social. Neste trabalho, Ridley Scott dá ao herói a dignidade e início de carreira que, em sua visão, faltaram contar. É uma nova história de um velho conhecido. E mais uma justificativa para suas ações contra a lei.

O filme em si não é perfeito. Longo, deixa algumas brechas para serem exploradas em possíveis continuações. Além disso, em algumas cenas, "moderniza" a idade média aos padrões norte americanos, como por exemplo, nas cenas românticas, e aqui comparo estas cenas às do filme Orgulho e Preconceito, que procura se aproximar em muito mais na realidade da época, e nas cenas de ação, que se trocarmos as flechas e espadas por espingardas teremos praticamente o mesmo cenário do Resgate do Soldado Ryan!

Entretanto, é sim muito bem feito. As rápidas mudanças de sítios, em várias partes da Inglaterra e da França mostram várias facetas da guerra que sempre existiu entre esses dois países e todas as suas conspirações internas. Gostei muito desta parte geográfica. O filme se preocupa em mostrar também como eram as aldeias neste período paupérrimo e como as pessoas não são assim tão diferentes naquela época em comparação as de hoje. Tem também, obviamente, a diversão característica de Robin Hood, emoção nas cenas de luta e piadas de situação. E os créditos finais, em forma de animação, são muito bonitos! Quanto aos atores, Russel é sempre Russel, mas quem aparece bem mesmo é Cate, que quanto mais o tempo passa, mais passa segurança no que faz, e Willian Hurt, que dispensa comentários.

Assim, no frigir dos ovos, vale a pena observar o novo trabalho de Ridley, que embora não tenha o mesmo vigor de Gladiador, mantém as expectativas dos que gostam de filmes épicos. Nota 7.

PS: Coloquei duas sinopses por que achei a primeira (Cinemark), um absurdo! Vejam que diz: "O destemido arqueiro Robin Hood e seu bando de saqueadores eram ladrões que se preocupavam somente com suas próprias vidas. Até que decidem enfrentar o poder e a corrupção que tomou conta da cidade de Nottingham, sufocada pelos altos impostos e dominada pelo xerife local." Que é isso? Eles eram, no mínimo, obrigados pelo rei Ricardo a fazer o que faziam pelo restante da Europa, então não podem ser classificados como simples "ladrões" ou "bando de saqueadores"! E, decidem enfrentar o xerife local? Eles caem lá e praticamente não tem opções a não ser fazer isso, não foi uma decisão! A sinopse 2 é muito melhor para descrever a prévia deste filme, sem fazer média com a antiga história conhecida do herói.



Escrito por AriBL às 08h13
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Teatro: Cats

Com: Paula Lima (Grizabella), Saulo Vasconcelos (Old Deutoronomy), Sara Sarres (Jellylorum), Julio Mancini (Munkustrap), Fernando Patau (Gus), Bustopher Jones (Growltiger), Jhean Allex (Mistoffeles), Séfora Araujo (Demeter), Gianna Pagano (Bombalurina), Andréia Vitfer (Jenny Ann Dots), Cleto Bacic (Rum Tum Tugger), César Moura (Mungojerrie), Mariana Hidemi (Rumpleteazer), Daniel Monteiro (Skimbleshanks), Leonardo Wagner (Alonzo), Arthur Marques (Plato/Macavity), Adenis Vieira (Coricopat), Gabriel Brasílio (Tumble Brutus), Max Oliveira (Pouncival), Fabiane Bang (Sillabub), Natacha Travassos (Victoria), Vanessa Costa (Cassandra), Marina Costa (Elektra), Patricia Athayde (Tantomille), Anelita Gallo, Carol Puntel, Mariana Barros, Ditto Leite, Fernando Marianno, Rafael Machado, Guto Muniz, Olívia Branco, Andrezza Massei, Carla Cottini, Francine Lobo, André Saporetti, Nick Vila Maior, Paulo Borges, Fernando Palazza.
Musical - 150 minutos - Livre
Sinopse: Meia-noite. Nenhum som no beco. Luzes de um carro rasgam a paisagem escurecida da noite e revelam momentaneamente a imagem de um felino correndo. Um por um, gatos curiosos emergem. É a noite especial deles, quando a tribo Jellicle Cats se reúne para escolher seus melhores. O líder do grupo, o sábio e benevolente Old Deuteronomy, anunciará qual deles irá para um lugar especial chamado "Heavyside Layer", onde poderá renascer para uma nova "vida Jellicle". Só um dos gatos não compartilha da euforia do grupo: a triste Grizabella (Paula Lima), que abandonou os companheiros anos antes para explorar o mundo lá fora e agora é desprezada por sua escolha.A história de Cats foi baseada em 14 poemas do livro infantil Old Possum’s Book of Practical Cats, publicado a primeira vez em 1939, com ilustrações do próprio autor, o poeta americano T.S. Eliot.Eliot escreveu a obra depois de passar dias observando o comportamento de seus próprios felinos.

Por AriBL

♪ Vamos, dizer que nunca vimos, um gato tão fantástico, Mr Mistoffeles... ♪

Para quem gosta de musicais, Cats mostra uma coreografia refinada e intensa do início ao fim. A música é empolgante, em muitas vezes nos pegamos "dançando", e em outras cantarolando os refrões (adaptados para o português por Toquinho) assim que o aprendemos. A dança é fascinante. O grande elenco da peça é refinado e extremamente bem sincronizado, com números que lembram de danças clássicas ao circo, inclusive alguns números bem acrobáticos. A beleza da maquiagem impressiona, sendo mesmo um show a parte - no salão de entrada do teatro, telas mostram algumas partes do processo de maquiagem dos atores, um grande trabalho!

A diversão é garantida se nós observarmos o trabalho por trás de toda a produção necessária para a peça. As vozes dos cantores principais são sublimes. Para aqueles que gostam dos felinos então, o desfecho do espetáculo pode até arrancar lágrimas na última canção, que ensina como fazer amizade com um gato. É óbvio que quem, como eu, já teve e amou os bichanos amou essa defesa. Os gatos são os animais domésticos mais injustiçados por quem não os conhece, pois quem conhece sabe que um gato pode ser até mais carinhoso do que um cão.

Em Cats, o carisma dos atores supera os outros dois espetáculos que vi no Abril. Eles interagem várias vezes com o público, numa clara alusão à independência felina, que faz o que quer. Em alguns momentos eles param ao lado dos espectadores implorando carinho, em outras fazem a famosa "cara de ameaça felina", como quem diz quem manda no pedaço. E no intervalo da peça, eles permitem a entrada do público no palco para uma rápida sessão de fotos com alguns personagens e com o cenário.

É muito bom termos em São Paulo o teatro Abril. O teatro nos aproxima da Broadway, só que com peças em "português-br"! Quem dera pudéssemos ter mais acesso a esse tipo de cultura, embora aquele pedacinho da Brigadeiro tenha além do Abril o Bibi Ferreira e o Imprensa, e se subirmos em direção à Paulista chegamos ao complexo mundo cinematográfico da região, com várias salas que passam filmes "B", além de vários tipos diferentes de restaurantes, bares, lojas... É uma bela região. Mas voltando ao tema, São Paulo tem capacidade de ter mais do que apenas dois grandes teatros - o segundo seria o Municipal, muito mais imponente, mas menos "popular". No Abril já pude conferir além de Cats, os espetáculos Les Miserables e O Fantasma da Ópera. Les Miserables vence no quesito história e o Fantasma no quesito cenário, mas todas estas peças são espetaculares.

Sei que alguns podem torcer o nariz aos musicais. Entender uma história apenas através da letra das canções, da movimentação do cenário e das coreografias não é uma tarefa fácil para quem não está acostumado a essa cultura. Dê essa chance a você mesmo, de preferência mais do que apenas a primeira vez. Analise a peça mais do que o que se vê no palco - veja o trabalho dos bastidores.

Cats encerra este ciclo em São Paulo neste final de semana com destino ao Rio de Janeiro. Por aqui, vou aguardar a próxima adaptação, mas recomendo aos amigos cariocas uma conferida! Leva 8.5!



Escrito por AriBL às 08h52
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Momento Cult: A Fita Branca (Das Weisse Band) - 2009

Com: Christian Friedel, Ernst Jacobi, Leonie Benesch, Ulrich Tukur, Ursina Lardi
Direção: Michael Haneke
Drama - 144 minutos - 16 Anos
Sinopse: Às vésperas da Primeira Guerra Mundial, estranhos eventos perturbam a calma de uma pequena cidade na Alemanha. Uma corda é colocada como armadilha para derrubar o cavalo do médico, um celeiro é incendiado, duas crianças são sequestradas e torturadas. Gradualmente, estes incidentes isolados tomam a forma de um sinistro ritual de punição, deixando a cidade em pânico.

Por AriBL (o comentário abaixo contém algumas revelações que não comprometem a trama)

Numa época de "3D-ísmo", efeitos especiais exageradamente explosivos, e ação frenética indigesta, vale a pena conferir um filme em preto e branco de mais de duas horas de duração? Vale!

A Fita Branca é o grande "perdedor" do Oscar de estrangeiro (perdeu para o argentino O Segredo de Seus Olhos, que estou louco para conferir). Filme ambientado numa pequena aldeia no interior da Alemanha, tem como mote o que a sinopse nos informa: Estranhos acontecimentos criminosos aterrorizam seus cidadãos, mas ninguém sabe quem é o responsável pelo ritual de punição, que inclui crianças, algumas até deficientes. Entretanto, não nos enganemos: A Fita Branca é um filme em que Haneke propõe mais uma teoria para explicar o nazismo. Os crimes são apenas o caminho para se chegar ao ponto.

Notem que um dos objetivos do filme é mostrar como as crianças eram tratadas no período pré 1ª guerra mundial, e como elas enxergavam aquela sociedade, extremamente restritiva (e as vezes abusiva). Cenas chocantes, tais como crianças sendo espancadas e humilhadas em nome de Deus, da educação e da família são comuns, embora Haneke tome o cuidado extremo de não fazer com que nós sintamos repulsa pelo que acontece. Tudo fica muito implícito: Sabemos o que está havendo por raciocínio e percepção, não por que vemos literalmente uma cena degradante (embora em alguns momentos nem é tão necessário raciocinarmos tanto). Para nós, criados cada vez mais numa sociedade permissiva, obviamente que condenar aquele tipo de tratamento é automático, embora talvez alguns de nós já tenhamos passado por isso. Só que isso era o que moralmente se devia fazer naquela época para que eles tivessem jovens amadurecidos e responsáveis, e o filme não fica apenas neste aspecto.

Então, vamos à parte "ilegal" - no sentido de coisas que não são aceitas, não importa em que época vivamos. Sim, é importante ver também os abusos, preconceitos e a submissão, e suas conseqüências. O tratamento que a criança deficiente recebe (sua tortura) é um símbolo do que posteriormente aconteceria com os que não faziam parte do ideal de perfeição nazista. O professor, que nos narra a história, deveria ter preferido herdar o trabalho do pai a ter uma profissão que não lhe dava meios de sobra para um casamento e o personagem central da aldeia, o barão, embora não seja benquisto, consegue manter praticamente toda a aldeia sob suas ordens. Os únicos que escapam são o doutor, que é a primeira das vítimas dos crimes, a parteira, que é submissa ao doutor, e o professor, que não tem apego àqueles valores prezados pela maioria, embora para ele seja mais fácil ser assim, visto ainda não ter uma família para sustentar. Percebe-se com isso uma sociedade tolhida as ordens e desejos de um único clã, que obviamente pode desencadear ódio e vontade de vingança, e isso realmente acontece.

Temos aí uma tese que "explicaria" a origem do nazismo, afinal, são aqueles jovens que se tornarão os adultos que decidirão o futuro alemão sob o comando de Hitler. Mas não nos enganemos: Esta tese é muito incompleta, pois isolaria o Nazismo aos alemães. Hoje, se sabe que o nazismo foi um problema muito maior do que os alemães que o apoiaram. E mesmo sabendo disso, até hoje não se pode chegar a conclusões óbvias sobre o holocausto. Entretanto, esta tese não deixa de ser uma tese, e como filme, Haneke a defende e a desenvolve muito bem, a ponto de concordarmos que se essa tese não explica o Nazismo totalmente, ela acaba mostrando algo que corrobora com o conjunto de acontecimentos que desencadearam nos eventos daquele período posterior.

Talvez A Fita Branca não tenha recebido o Oscar pela falha da tese em si, ou talvez por que O Segredo de Seus Olhos seja mesmo espetacular (vou tentar conferir ainda essa semana para poder comentar no Momento Cult da semana que vem). A academia adora filmes sobre esses eventos. Entretanto, o que não se pode negar a respeito dA Fita é sua qualidade. Totalmente em preto e branco, muito bem gravado note-se, o filme chega a doer de tão perfeito tecnicamente! As tomadas de câmera são levadas tão a sério que conseguimos em praticamente todas as cenas termos um completo campo de visão. Por muitas vezes, a câmera é instalada em um local e fica imóvel, como se estivéssemos num teatro e pudéssemos olhar para onde quisermos. Os atores interpretam como se não houvesse câmeras instaladas (será que alguém lhes disse que não havia?). Há uma cena em que o professor tenta levar sua pretendida a um picnic e nessa cena a câmera é colocada à frente dos protagonistas. Ela balança com o andar da carroça e a sensação que temos é que estamos de carona com eles. Sensacional. Sem contar a tensão que sentimos quando os aldeões investigam os crimes, como se algo fosse acontecer a qualquer momento.

Todo mundo deveria ver esse filme. Leva 7.5.



Escrito por AriBL às 08h02
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Anime-se! Mary e Max - Uma Amizade Diferente (Mary and Max)

Com Vozes de: Toni Collette, Philip Seymour Hoffman, Eric Bana
Direção: Adam Elliot
92 minutos - Infantil - Livre
Sinopse: O filme conta a história de uma improvável amizade entre Mary, uma menina solitária de oito anos de idade que vive na periferia de Melbourne e Max, um homem de 44 anos, gordo e obsessivo que vive em Nova York. A animação é feita em stop motion e traz um time de primeira linha entre os dubladores.

Por AriBL (O comentário a seguir contém revelações da história que não comprometem o filme)

Seria possível uma história em que duas pessoas que nunca se viram pessoalmente mantivessem uma forte amizade apenas por correspondência? Se levarmos em consideração a tecnologia moderna, com os e-mails e sites de relacionamentos cada vez mais na moda, alguém poderia dizer que isso é óbvio. Aliás, eu mesmo tenho vários colegas virtuais, pessoas que nunca vi, mas que gostam de conversar sobre cinema e futebol. Ainda não desenvolvi com nenhuma delas uma amizade íntima, já que meu conceito de amizade exige conhecimentos que pelos meios virtuais não são alcançados...

Mas e se dissermos que isso aconteceu em uma época em que não havia esta facilidade? E entre duas pessoas diferentes demais? Mary e Max tem como objetivo narrar a história real de Mary, desde seus 8 anos até sua fase adulta, que mora na Austrália com uma mãe alcoólatra e um pai que se isola da família, que não tem amigos e não sabe o que fazer da vida. Ela acha o endereço de Max por acaso num catálogo dos correios e eles começam a se corresponder. Max é um senhor que tem problemas psicológicos (Síndrome de Asperger), vive sozinho, tem trauma com lixo na rua e não aceita as pessoas.

A princípio fiquei receoso. Primeiro, por que o filme praticamente não tem diálogos: Ou o narrador descreve o que está acontecendo, ou Mary e Max lêem as cartas que estão escrevendo um para o outro para explicar pelo que estão passando. Segundo, a técnica stop motion usada, a mesma empregada em Fuga das Galinhas, não tem como objetivo impressionar tecnicamente. Inclusive é bem simples, poucos efeitos especiais. Terceiro, achei estranho classificá-lo como infantil. O filme é adulto, trata de problemas sérios. Em poucos momentos é engraçado.

Eu sei, essa coluna é "Anime-se!", mas não posso deixar de recomendar um belo filme de animação só por ser um drama, certo?

Por que ver então? Dois motivos. O principal é a história. Melancólico, esse filme trata dos problemas dos envolvidos com verdadeira responsabilidade. Não deixa de ser um alerta a todos, pois nos ensina muito a respeito de tolerância para com os diferentes, em especial quando esta diferença é patológica. Incluir as pessoas nem sempre é uma tarefa fácil, mas precisamos lembrar que essas pessoas também merecem respeito e dignidade. E o outro motivo que citaria é a respeito da própria técnica usada. Mas, não era a técnica simples algo que me deixara receoso? Sim, mas não deixa de ser diferente. Quando nos envolvemos com a história, notamos que a narração ou a leitura das cartas era o meio de contato entre os personagens. Daí, é como se nós mesmos também conseguíssemos fazer amizade com os dois, e se deixarmos os acontecimentos nos contagiar, conseguiremos quase que sentir o mesmo que eles sentiram, e captaremos a essência de toda a história. É como se entendêssemos que não é necessário "ver" o que aconteceu para gostar de tudo, basta "sentir" as cartas e "ouvir" o narrador que já bastará para nos apaixonarmos por tudo. Ainda poderia citar a trilha sonora, muito bela e o fato de que é baseado em uma história real.

Eu havia assistido um outro desenho em stop motion, tecnicamente superior e que foi indicado ao Oscar do ano passado, Coraline e o Mundo Secreto, que contém personagens esquisitíssimos e interessantes, mas que no final me decepcionou por tratar os problemas de Coraline com banalidade (bastou dar um presentinho para que ela aceitasse o descaso que os pais tinham com ela?). Comparando com Coraline, Mary e Max tem um final que não é nada infantil, embora dê para prever algumas coisas.

Recomendado fortemente para quem gosta de dramas e para aqueles que ainda tem problemas em aceitar os outros como eles são. Nota 8.5.



Escrito por AriBL às 10h34
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Grandes Clássicos: Grease - Nos Tempos da Brilhantina (Grease) - 1978

Com : John Travolta , Olivia Newton-John , Stockard Channing , Jeff Conaway , Barry Pearl
Direção: Randal Kleiser
110 minutos - Musical - Livre
Sinopse: Na Califórnia na década de 50, Danny (John Travolta) e Sandy (Olivia Newton-John), um casal de estudantes, trocam juras de amor mas se separam, pois ela voltará para a Austrália. Entretanto, os planos mudam e Sandy por acaso se matricula na escola de Danny. Para fazer gênero ele infantilmente lhe dá uma esnobada, mas os dois continuam apaixonados, apesar do relacionamento ter ficado em crise. Esta trama serve como pano de fundo para retratar o comportamento dos jovens da época.

Por AriBL (O Comentário abaixo contém revelações que comprometem a trama)

Acreditem se quiser: Faz pouco tempo que, pela primeira vez na minha vida, assisti a esse musical! E olha que eu já tinha ouvido a trilha sonora um sem número de vezes, em LP, depois em CD e até em MP3! Tava em casa, caçando filmes e vi que ia passar no TCM, pensei: Chegou a hora! Galera, não dá pra não se divertir com os trejeitos absurdos de andar, vestir e falar desse filme, é tudo muito cômico, forçado, teatral! Mas é explicitamente autêntico! Como era bonita a Olivia hein? A história, quando olhamos com os olhos da nossa era, chega a ser infantil em vários momentos, o que contrapõe com outros momentos tão “revolucionários” para a época.

Mas, imaginando uma volta ao passado, deve ter sido um choque cultural ver mulheres que não nem aí com os princípios e "bons costumes". E indo a caça sem pudor. O final é ... (será que posso?)... Bem... Desculpe os que não viram, mas o final é a prova de que o ideal do filme era mostrar que as meninas deviam mesmo entrar de cabeça na independência sexual e libertinagem. Não posso dizer que não me diverti, mas estou muito antenado com nossas modernidades técnicas do cinema atual, o que me fez criar um certo bloqueio para aceitar tanta pieguice!

Acho que o ponto sobre Grease que o descreveria é “datado”. É esse mesmo, não achei palavra melhor para descrever o filme do que "datado". Foram técnicas que funcionaram muito bem para o período que o filme fez sucesso, mas que não funcionam se o objetivo é angariar novos fãs. Muitos filmes conseguem transcender sua época e não importa o tempo que passe, sempre estarão atualizados. Não deixa de ser uma viagem temporal, mas nada do que foi feito na época funciona mesmo hoje em dia!

Mas ainda hoje, será que merece ser visto? Com certeza. Atente para alguns detalhes bem desenvolvidos da trama. Atentem para o momento que as adolescentes bebem e fumam, ao mesmo tempo que assistem a uma animação infantil e a imitam. Atentem para o esculacho que uma das garotas leva pela falta de amadurecimento e irresponsabilidade que ela mostra.

Assim, pela história, pelo choque, e pela trilha, leva um 8. Recomendado pra quem gosta de clássicos e musicais, não recomendado para modernos.



Escrito por AriBL às 17h12
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Ainda dá Tempo: Preciosa - Uma História de Esperança (Precious: Based on the Novel Push by Sapphire)

Com: Gabourey Sidibe, MoNique, Rodney Jackson, Paula Patton, Mariah Carey 
Direção: Lee Daniels
Drama - 110 minutos - 12 anos
Sinopse: 1987, Nova York, bairro do Harlem. Claireece "Preciosa" Jones (Gabourey Sidibe) é uma adolescente de 16 anos que sofre uma série de privações durante sua juventude. Violentada pelo pai (Rodney Jackson) e abusada pela mãe (Mo'Nique), ela cresce irritada e sem qualquer tipo de amor. O fato de ser pobre e gorda também não a ajuda nem um pouco. Além disto, Preciosa tem um filho apelidado de "Mongo", por ser portador de síndrome de Down, que está sob os cuidados da avó. Quando engravida pela segunda vez, Preciosa é suspensa da escola. A sra. Lichtenstein (Nealla Gordon) consegue para ela uma escola alternativa, que possa ajudá-la a melhor lidar com sua vida. Lá Preciosa encontra um meio de fugir de sua existência traumática, se refugiando em sua imaginação.

Por AriBL

Pouco ainda se pode falar de novidade para o elogiado Preciosa, das atrizes que fizeram um verdadeiro furdúncio em tudo que é premiação no ano passado, Gabourey Sidibe e MoNique. E tudo isso com méritos de sobra. Se você ainda não viu esse filme, talvez por preconceito, ou com medo de um drama muito sentimental, agende-se o mais rápido possível e não perca essa história de superação.

A vida de Precious Jones é uma tragédia. Tudo isso aí que se lê na sinopse acontece com ela, história que por si só já deve ser vista. Mas tem mais! Se Albert Einstein já dizia que existem duas coisas infinitas, o universo e a estupidez dos homens, essa segunda premissa é bem comprovada. Uma história triste, traumática e miserável, que poderia ser contada de várias formas para arrancar choro fácil, foi mostrada de uma maneira diferente, interessante, realista, mas não emotiva demais. Claro que tem entre um e outro momento seus repentes emocionantes, mas não é o foco. E por essa preocupação, o filme também merece ser visto. Mas tem mais.

As atrizes principais estão mesmo arrebentando. No caso de Mo'Nique, que faz o papel de mãe, o termo arrebentar é bem mais literal, infelizmente. Infelizmente para a história de Precious, mas para a interpretação é sensacional. E se as principais fazem valer o ingresso, surpreende muito ver os coadjuvantes. A professora Mrs. Lichtenstein interpretada por Nealla Gordon dá o tom do que seria a participação dos coadjuvantes: Renegar o estrelismo em prol da história. Por que temos artistas consagrados no filme que não aparecem tanto: Além de Nealla, temos Lenny Kravitz como enfermeiro, por exemplo, que apesar de ser o menos destacado em termos de interpretação, não faz feio não. Mas a que mais surpreendeu foi Mariah Carey, no papel da assistente social Mrs. Weiss. Completamente transformada, longe, muito longe do símbolo sexual que busca ser, e bem, muito bem no papel. E ainda temos as meninas da turma da professora Rain (Paula Patton, nova pelo menos para mim). Se deixamos nos envolver também na história delas, viveremos junto o amadurecimento pelo qual elas passam e proporcionam a medida que elas vão se conhecendo, passando de totais alienadas crianças sem comprometimento para mulheres que começam a entender que a vida é dura, mas pode ser transformada quando há esperança, ou mesmo uma nova vida. Assim, as interpretações também valem à pena, mas ainda tem mais!

Não posso esquecer de mencionar algo que achei muito legal: A fuga da realidade que Precious tem nos seus momentos mais difíceis. O filme é muito forte, não economiza em mostrar o sofrimento de Precious. Para fugir disso, ela sonha em ser linda, rica e desejada, e esse sonho é mostrado glamourosamente. É interessante ver isso num drama, são momentos que até nos descontrai, em meio a tantas dificuldades. Além disso, fotos falantes prometem a Precious dias melhores. Muito bonita estas inserções, para mim corajosas também, visto o perigo que este tipo de técnica possui, que é de banalizar a história triste de Precious. Ainda bem que isso não acontece e serve de via de escape até para nós!

Se tem mais? Até tem, mas vou parar por aqui. Acredito que quando falamos muito geramos expectativas e não quero exagera-las. Mas que o filme é muito bom, ah! Isso é! Leva 8.5.



Escrito por AriBL às 08h19
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