Dica de Cinema: Operação Valquíria
Operação Valquíria (Valkyrie)
EUA/Alemanha/2008 Direção: Bryan Singer Com: Tom Cruise, Bill Nighy, Kenneth Branagh e Tom Wilkinson Duração: 120 minutos Classificação: 14 anos Por AriBL (aribl.zip.net) "Enquanto as notícias das frentes de guerra eram boas, e enquanto as pessoas não se viam obrigadas a passar a noite nos abrigos antiaéreos, a maioria delas se dispunha a seguir a Hitler e sua política. Mas, como explica o jornal Süddeutsche Zeitung, “quando as más notícias começaram a acumular-se, houve uma reviravolta”. Um informe do serviço secreto alemão, datado de 9 de agosto de 1943, admitia que a guerra aérea estava tendo conseqüências. As pessoas, “confrontadas com o problema aparentemente insolúvel da existência pessoal”, dizia o informe, estavam agora suscitando a anteriormente não formulada “pergunta do por quê?” Movimentos ocultos, que visavam a derrubada de Hitler, ou obrigá-lo a pedir paz, obtiveram novo apoio. Foram feitas várias tentativas frustradas de assassiná-lo, incluindo a bem-conhecida, em 20 de julho de 1944." – Revista Despertai!, 8 de Maio de 1987, página 16, O Mundo Desde 1914 Parte 5: 1943-1945 − a II Guerra Mundial — seu fim violento e ardente
Operação Valquíria é esta frustrada tentativa de assassinar Hitler. Muito se especulou sobre a participação do mega-conhecido-famoso-galã-hollywoodiano Tom Cruise para o papel de Stauffenberg, líder desta frustrada tentativa de renegociar a posição moral da Alemanha no decurso da 2ª Guerra Mundial. Mega astro de filmes multimilionários que visam a priori entreter e lucrar, um papel desse porte exigiria de Tom algo mais. Mas não no sentido interpretativo. Falo na questão da respeitabilidade histórica. Mas como Cruise iria se portar diante deste desafio? Que situação difícil! Pensemos bem: Cruise poderia interpretar magistralmente esse papel? Alguns diriam sim, pois estamos falando da indústria cinematográfica, que nada mais é do que lucro e entretenimento, e então, diante dos fatos conhecidos, Cruise carregaria sua interpretação com drama pesado, visto a morte ser certa no final, para arrancar lágrimas e simpatia do seu enorme público. Porém outros diriam não, pois Stauffenberg é, para os alemães, muito mais do que um personagem histórico. Como assim? Ora, pergunte a quem quiser no mundo o que se pensa sobre os alemães da época nazista e veremos por que o povo alemão tem tanta vergonha desta época! Stauffenberg é uma das poucas coisas que se safam e que pode orgulhar um verdadeiro cidadão alemão contrário ao que ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial. Perceberam aqui o desafio do mega astro? O que ele decidiu?
Para o bem geral da nação, Cruise decidiu a segunda opção, mesmo que para isso ele tenha sacrificado o que ele faz de melhor: Interpretar. Mas, contra-interpretar também não seria uma arte? Cruise, que aparece o tempo todo na trama, nem parece Cruise. Fosse outro ator, Keanu Reeves, por exemplo, o papel sairia parecido. Mas Cruise é muito mais ator. Então, bato palmas a ele que, ao invés de transformar seu papel em busca de premiação, que previsivelmente não viriam, preferiu reverenciar um herói de verdade da história mundial – e alemã. Muitas vezes me perguntei: Mas seria possível que ninguém na Alemanha via o que acontecia? Por que ninguém fazia nada? Santa ignorância desse pobre leigo! E só descobri esta faceta da guerra graças a esse filme. Então, como poderia eu deixar de reverenciar esta história se ela tanto me acrescentou culturalmente? Que me instigou a pesquisar os fatos e descobrir quão enfraquecidos estavam os moralmente "corretos"? Mas não apenas nisso. Todo o filme roda com um clima pesado, tenso. Você sabe que não vai funcionar, mas você quer saber por que não funcionou! Não tem como sequer piscar o olho, pois não queremos perder um momento qualquer do filme.
Muito mais se poderia (mas não deveria, como não foi!) acrescentar na história deste filme. Aliás, Bryan Singer tinha um outro problema nesse sentido que era selecionar o material necessário para construção convincente de duas horas de película. Acredito que ele foi feliz em seu foco. Vejam, ele poderia ter tentado explicar o que houve com Stauffenberg no começo do filme – que ataque foi aquele? Poderia ter acrescentado o motivo de Hitler estar tão tenso naquela época. Poderia ter mostrado o andamento da guerra fora dos domínios da SS. Não, ele não fez isso. Por que esta história é sobre a guerra entre a Alemanha e a Alemanha. Foco. Méritos! Acho que meus devaneios já podem parar por aqui. O filme foi bem recebido, até pelos familiares de Stauffenberg ainda vivos que torceram o nariz a primeira instância, quando souberam que Tom Cruise seria o ator principal. E, numa história tão defendida, o filme ser bem recebido já pode ser considerada uma vitória. Mas pode ter certeza que eles fizeram mais que uma história respeitosa – fizeram um grande filme.
Escrito por Humm... Não Sei Não... às 17h02
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